Além do espetáculo


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dar peso a
expressão linguística diametralmente ambivalente

1. Conferir importância, dedicar mais atenção a.
2. Criar expectativas, tornando um fato ou memória mais difícil de lidar do que deveria.
3. Tornar um fardo. Contrariar a leve natureza imparcial da existência a fim de construir uma ilusão de controle sobre os fatos que cercam um indivíduo. Negar o amor fati.

 


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melancolia, do grego μελαγχολία
tristeza, depressão.

É tornar real o pensamento de que apesar de você todo o mundo segue inalterado. Que os vínculos que você criou, com o tempo serão gastos, empoeirados, fragilizados e, por fim, quebrados, permanecendo não mais do que uma memória vaga, saudade em uma madrugada qualquer, dúvida e expectativa, um gesto incerto, um olhar desviado.


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A insustentável leveza do ser

ou 194 de 365

“Os personagens de meu romance são minhas próprias possibilidades, que não foram realizadas. É o que me faz amá-los, todos, e ao mesmo tempo a todos temer. Uns e outros atravessaram uma fronteira que me limitei apenas a contornar.”

194_final

Se isso que Kundera declara em A insustentável leveza do ser é verdade, das três, uma: 1) ou ele sabe mentir muito bem, 2) ou ele é muito parecido comigo ou ainda 3) no fundo, lá no fundo, todos somos muito mais parecidos entre si. Continue reading


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A arte do apesar de

Depois que eu me tornei “adulto”, o meu mundo não se tornou mais bonito, nem mais livre; tampouco meus anseios diminuíram e nem meus medos passaram a ter medo de mim.

Depois que eu me tornei “adulto”, as coisas só se tornaram mais viscerais. As contradições, os flagelos e mazelas; tudo aquilo que já esboçava estar presente no meu mundo simples de adulto-to-be se tornaram mais atrozes. E aí eu aprendi que um “adulto” é aquele que, mais do que um jovem, tem que suportar, sem reclamar muito, esse status quo. O “adulto” sabe dos problemas, vivencia-os e até ajuda a criá-los. Mas o consenso é que todos tem que suportar. Não suportar, é se dar por vencido; é ser um louco, é ser menos valioso do que aquele que trabalha 8 horas por dia.

E não entenda suportar como ser subserviente; não. Há aqueles que suportam com uma ganância invejável. Aqueles que dão seu suor para que o status quo continue exatamentemente o mesmo. Só que ele, em uma posição mais confortável. E você encontra por aí os mais diferentes jeitos de suportar isso: alguns reclamam, outros se calam. Outros bradam contra e outros, a favor. Uns amam as sombras na caverna. Outros, sequer sabem que estão em uma. Alguns outros cogitam que só há cavernas, umas dentro das outras.

Eu, eu não sei. Tudo o que tenho notado é que a coisa que mais precisa me ser preciosa é a arte do apesar de. Mesmo com todos os problemas se sobrepondo, intercalando, somando e multiplicando,o apesar de me parece ser a única saída possível.

É se esforçar para que eu consiga ir ao encontro da montanha apesar das pedras. É ter a calma, a paciência e a afabilidade apesar de um dia difícil no trabalho, de clientes loucos, de um trânsito insuportável. É conseguir construir um castelo apesar de impostos altíssimos, falta de educação. É conseguir ver seus sonhos reais apesar do fluxo torrencial de mentiras, constructos retóricos e falsas verdades. É ter força para se dedicar a o que quer que seja, apesar de tudo.