Além do espetáculo


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As ciclofaixas do Recife

Assim como nos domingos, amanhã — terça-feira, dia 16 de julho — terá a ciclofaixa exclusiva na cidade do Recife. Feriado municipal. Espero que você, meu leitor ciclista recifense, vá às ruas com sua bicicleta própria ou alugada e, de fato, ocupe a sua cidade. E observe-a. Olhe-a bem de perto, olhos nos olhos e quero ver o que você diz.

Quero ver se você vai reproduzir o discurso idiotizante de que a cidade é bela e cheia de histórias e que com o carro você não podia observar essas coisas porque estava preocupado com o trânsito e que, agora sim, você conhece Recife.

Olhe atentamente a gambiarra que é a rede elétrica dessa cidade, que matou mais do que a dengue no último ano. Olhe a quantidade absurda de fios grossos, pesados, caindo a uma altura que seu filho ou sobrinho de 5 anos poderia agarrar. Olhe a agressão que é ver um poste com mais de 30, 50 fios amarrados, se esticando ao longo das e perpendicular às ruas.

Contemple os esgotos estourados, os mesmos de quando um quinto das pessoas viviam nessas ruas. Esgotos a céu aberto que fazem o jogador uruguaio dizer que a cidade fede. Porque fede. No seu dia-a-dia, no carro com ar condicionado e Glade, talvez não dê pra sentir. Mas inale o cheiro da sua cidade com vontade nesse feriado. Sinta no fundo de seus pulmões o seu povo e sua terra.

Admire as calçadas. As únicas coisas mais esburacadas do que as ruas da sua cidade, que tornam qualquer ida à padaria muito mais emocionante do que qualquer ecoturismo que você pode fazer pela Europa. Admire cada relevo, os altos e baixos das calçadas da sua cidade enquanto imagina sua mãe ou avó — ou qualquer idoso ou cadeirante — caminhando por ali. Ao admirar aquelas belas texturas da calçada, imagine seu familiar sofrendo um acidente, quebrando um osso e tudo ficar por isso mesmo.

Enxergue as crianças na rua, frutos do descaso público e da corrupção. Veja o lixo no chão, jogado pela mão de quem rouba o dinheiro das escolas desse país, desse estado e dessa cidade. Observe a depredação da história dessa cidade, onde hoje há prédios quase tão altos quanto o montante de dinheiro das construtoras atrozes.

Agora, imagine o que essa cidade poderia ser. Enquanto passeia com sua bicicleta na ciclofaixa. E agredeça a oportunidade que a Prefeitura está lhe oferecendo.

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A transfiguração do lugar-comum

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Sem saber muito por que, eu comecei a ler Arthur Danto há uns meses; talvez tenha sido simplesmente por se tratar de um livro de teoria da arte. Só sei que acabou me ajudando bastante no meu projeto de conclusão de curso, embora eu nem o tivesse lido inteiro.

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Composição: The Cave of the Storm Nymphs

Opa, galera!

Eu decidi fazer um estudo de um pedaço da tela de Edward John Poynter, e eu acabei dividindo o estudo para dois ou três dias do meu projeto de uma ilustração por dia, porque achei coerente, como disse antes no dia 11. Claro que pode ser só uma racionalização, mas foda-se.

De todo modo, gostaria de mostrar como é genial a composição da tela que estou estudando, que é a The Cave of the Storm Nymphs.

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Quando achar se torna difícil

Estranho. Acho que 2012 foi um ano estranho. Não, estranho não; estranho tem uma conotação ruim. Peculiar? Diferente?

Marcante.

Sim, acho que 2012 foi um ano marcante. Não foi um ano fácil, nem foi um ano longo – e também nem foi curto, nem teve a duração que deveria –, nem um ano otimista, nem pessimista. Foi o primeiro ano mais importante da minha vida.

Nunca as coisas estiveram tão fora de controle como elas estão hoje para mim. Alguém há de achar isso ruim; mas não, não é ruim. Não ter as coisas sob controle dá uma liberdade inigualável. As pessoas devem achar que é ruim justamente pela sensação de liberdade. A liberdade não é doce. A liberdade te deixa sem ar, tira o chão debaixo dos seus pés e borra sua imagem no espelho. Por outro lado, ela te dá a chance de respirar, a possibilidade de criar asas e a de pintar seu rosto; não que isso seja fácil. Não.

2012 foi o ano em que eu entendi e aceitei que o eu não é algo que eu devo tentar achar, como eu sempre tentava. Mas que é algo que eu devo construir. 2012 me deu a oportunidade de fazer coisas que eu gosto, de descobrir o que eu quero e de aprender muito. Infelizmente, alguns de meus defeitos ainda pesam em minhas costas: muito do que eu aprendi, já esqueci. Às vezes, penso que isso é uma bênção, porque eu consigo vivenciar a mesma descoberta duas vezes, sem ter aquele sentimento de déja vu. Na maioria das vezes, no entanto, é mesmo uma maldição, porque eu cometo os mesmos erros várias e várias vezes; e só quando eu sinto o sangue escorrer da mesma ferida que eu lembro, ah, por isso que eu não fiz mais isso.

Alguns dos meus problemas se tornaram mais evidentes, mas isso me dá a chance de trabalhar com mais facilidade em cima deles.

Nunca o mundo girou tão rápido nem eu tomei tantas decisões. E as que tomei, até agora, me parecem ter sido as mais certas. Rezo todos os dias para que em nenhuma delas, eu tenha machucado pessoas que não deveriam. Que minhas palavras e meus atos não tenham cortado alguém que não deveria ser cortado, apesar de me achar pequeno demais para machucar alguém sem intenção.

2012 foi o ano em que eu vi a diferença que uma pessoa pode fazer no mundo. Foi o ano em que eu conheci pessoas incríveis – apesar de algumas dessas não terem me conhecido – e o ano em que aquelas estrelas que já estavam no céu noturno da minha vida brilharam e iluminaram meu mundo ainda mais. Me faz ver minha pequenez; mas também me faz ver por onde eu posso crescer.

2012 também foi um ano de desilusões. Foi um ano que, entre muitas oportunidades, foram poucas as tentativas. E entre as tentativas, foram poucos os acertos. Muitas foram as desistências, mas muitas vezes, nos reerguimos. Muitas vezes me escondi, muitas vezes as derrotas me instigaram e muitas vezes as derrotas me destilaram seu veneno imobilizante.

Mas foi o ano em que eu decidi que para aquilo e aqueles que amo, vale a pena.

Devo admitir que tive inveja, mas tenho orgulho de dizer que nunca deixei que a inveja me tivesse. Tenho orgulho de dizer que essa inveja se tornou admiração.

Foi o ano em que eu menos soube o que estava fazendo e o que deveria fazer. Eu ainda não sei, nem sei se vou saber. Não sei como vou me construir. Como vou me desconstruir para me reconstruir. Só sei que é necessário, só sei que tenho que fazer, mas não sei como. E isso dá uma certa liberdade.

 


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Diário Gráfico de Renato Alarcão – Primeiras impressões

Acabo de sair do segundo dia da oficina Diário Gráfico de Renato Alarcão, trazido aqui para Recife pela Corisco Academia e vim fazer um post rápido, porque parece que estou até com alergia ao computador.

Essa semana vou fazer um post mais detalhado sobre a oficina – além de outro diário gráfico –, sobre o que você pode aprender e que resultados nós obtivemos, mas de antemão: foi fantástico. Vai parecer puxação de saco, mas foda-se: Alarcão é foda. O trabalho dele – não precisa ser muito inteligente para ver – é absurdo; e como pessoa, é tão foda quanto ele é como artista. De puxar assunto a mostrar seus sketchbooks, ele é um cara muito de boa – mas mesmo assim, me espantei quando ele disse “[o sketchbook] tá aí na minha bolsa. abre lá!”. Tudo isso sem perder a qualidade das respostas para perguntas óbvias e comentários estúpidos – eu mesmo não escapei de uma delas.

Por outro lado, uma coisa que também ficou clara foi que esse formato de dois dias é só aquele tira-gosto: o maior tesouro tá no formato de 5 dias, que, pelo que entendi, ele só ministra lá no Rio. No fim das contas é uma oficina extremamente produtiva, tanto que – como o próprio Alarcão disse –, se você não fizer um próprio na próxima semana, esse conhecimento se autodestruirá.

Ah, apesar de eu não ter ficado com o diário gráfico que produzimos em grupo, sei que ele está em boas mãos!

Então, se você acha que minha opinião vale de alguma coisa: vá à oficina na próxima oportunidade que você tiver.


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Novo blog!

Trazendo meu blog do Blogspot pra cá, com outro nome e com outros objetivos. O anterior era mais para registar processos criativos e produtivos de quaisquer projetos ou trabalhos que eu tivesse realizado.

Agora, além disso, quero fazer cagação de regra considerações sobre diversos assuntos estéticos, éticos, filosóficos, mas sempre mais puxados pra design, artes e cultura. Temas mais abrangentes ou viajados, continuarei postando lá no Animus Mundus

Então, até mais!