Além do espetáculo

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Hoje, eu acordei com uma sensação de que não era real. Eu não era real, o que eu via não era real, o que eu tocava e o que eu fazia; tudo não passava de reticência, uma incerteza que me rodeava, faminta. Essa sensação perdurou e aumentou, sempre me circulando e crescendo em intensidade, como que dançasse ao som de um bolero sádico. Pude me ver de frente, andando rumo a um destino qualquer, uma casca vazia, sem pensar, sem questionar. Apenas andava. Vazio.

Cada gesto me levava para cada vez mais longe, cada pensamento me tornava cada vez menos pertencente. Me vi em situações que não sabia o que fazer, nas quais não sabia como me portar. Tudo isso só cavou ainda mais fundo.

E, como numa ópera, a apoteose não tardou chegar. Aquelas histórias criavam sentimentos das mais diferentes naturezas que queriam irromper meus olhos e me fazer gritar com toda força que eu podia dispor, mas sufoquei tudo isso como quem tampa um vulcão. Vazio, de novo. Nem a falta do real eu poderia sentir. Tinha que suprimir tudo, cada olhar, cada gesto, porque sabia que, caso contrário, tudo transbordaria.

Author: Eduardo Souza

Talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses, porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso. alemdoespetaculo.wordpress.com animusmundus.wordpress.com

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