Além do espetáculo

Quando achar se torna difícil

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Estranho. Acho que 2012 foi um ano estranho. Não, estranho não; estranho tem uma conotação ruim. Peculiar? Diferente?

Marcante.

Sim, acho que 2012 foi um ano marcante. Não foi um ano fácil, nem foi um ano longo – e também nem foi curto, nem teve a duração que deveria –, nem um ano otimista, nem pessimista. Foi o primeiro ano mais importante da minha vida.

Nunca as coisas estiveram tão fora de controle como elas estão hoje para mim. Alguém há de achar isso ruim; mas não, não é ruim. Não ter as coisas sob controle dá uma liberdade inigualável. As pessoas devem achar que é ruim justamente pela sensação de liberdade. A liberdade não é doce. A liberdade te deixa sem ar, tira o chão debaixo dos seus pés e borra sua imagem no espelho. Por outro lado, ela te dá a chance de respirar, a possibilidade de criar asas e a de pintar seu rosto; não que isso seja fácil. Não.

2012 foi o ano em que eu entendi e aceitei que o eu não é algo que eu devo tentar achar, como eu sempre tentava. Mas que é algo que eu devo construir. 2012 me deu a oportunidade de fazer coisas que eu gosto, de descobrir o que eu quero e de aprender muito. Infelizmente, alguns de meus defeitos ainda pesam em minhas costas: muito do que eu aprendi, já esqueci. Às vezes, penso que isso é uma bênção, porque eu consigo vivenciar a mesma descoberta duas vezes, sem ter aquele sentimento de déja vu. Na maioria das vezes, no entanto, é mesmo uma maldição, porque eu cometo os mesmos erros várias e várias vezes; e só quando eu sinto o sangue escorrer da mesma ferida que eu lembro, ah, por isso que eu não fiz mais isso.

Alguns dos meus problemas se tornaram mais evidentes, mas isso me dá a chance de trabalhar com mais facilidade em cima deles.

Nunca o mundo girou tão rápido nem eu tomei tantas decisões. E as que tomei, até agora, me parecem ter sido as mais certas. Rezo todos os dias para que em nenhuma delas, eu tenha machucado pessoas que não deveriam. Que minhas palavras e meus atos não tenham cortado alguém que não deveria ser cortado, apesar de me achar pequeno demais para machucar alguém sem intenção.

2012 foi o ano em que eu vi a diferença que uma pessoa pode fazer no mundo. Foi o ano em que eu conheci pessoas incríveis – apesar de algumas dessas não terem me conhecido – e o ano em que aquelas estrelas que já estavam no céu noturno da minha vida brilharam e iluminaram meu mundo ainda mais. Me faz ver minha pequenez; mas também me faz ver por onde eu posso crescer.

2012 também foi um ano de desilusões. Foi um ano que, entre muitas oportunidades, foram poucas as tentativas. E entre as tentativas, foram poucos os acertos. Muitas foram as desistências, mas muitas vezes, nos reerguimos. Muitas vezes me escondi, muitas vezes as derrotas me instigaram e muitas vezes as derrotas me destilaram seu veneno imobilizante.

Mas foi o ano em que eu decidi que para aquilo e aqueles que amo, vale a pena.

Devo admitir que tive inveja, mas tenho orgulho de dizer que nunca deixei que a inveja me tivesse. Tenho orgulho de dizer que essa inveja se tornou admiração.

Foi o ano em que eu menos soube o que estava fazendo e o que deveria fazer. Eu ainda não sei, nem sei se vou saber. Não sei como vou me construir. Como vou me desconstruir para me reconstruir. Só sei que é necessário, só sei que tenho que fazer, mas não sei como. E isso dá uma certa liberdade.

 

Author: Eduardo Souza

Talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses, porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso. alemdoespetaculo.wordpress.com animusmundus.wordpress.com

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