Além do espetáculo

Set tipográfico

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Vim falar hoje de um resultado talvez-nem-tão-interessante, mas que achei que valeu a pena pelo processo em si.

Para uma atividade da faculdade, precisávamos fazer um set tipográfico baseado em alguma fonte já existente. O que é um set tipográfico, você me pergunta. É o conjunto de glifos que forma uma fonte, por assim dizer.

Uma idéia, de há muito tempo atrás, era que minha escrita à mão seria igual à Garamond itálica. “Essa é uma oportunidade perfeita!”, eu pensei, idiotamente. Imprimi uma folha com alguns caracteres da Garamond itálica e as linhas auxiliares e tentei fazer com uma pena caligráfica que eu tenho. Óbvio que não deu certo. “Vou fazer a Garamond normal, então.” pensei eu. Imprimi os caracteres da Garamond e fui fazendo. “Ora, é possível!” pensei eu, de novo, idiotamente.

No amadurecimento da idéia, eu cismei que eu queria fazer os caracteres cada um em uma folha A3, com pincel, para que parecesse aqueles ideogramas japoneses e chineses. Eu queria unir a estética da cultura “tipográfica” oriental com a forma da base tipográfica ocidental, mais ou menos querendo elevar cada caractere da Garamond à categoria de um ideograma. Ou pelo menos foi essa a desculpa conceitual que eu me dei para fazer os caracteres bem grandes com a textura de pincel.

Eu testei vários pincéis, porque, primeiro, eles deveriam dar uma diferença de espessura (pra parecer com uma pena) e aquela textura de pincel dos ideogramas. Os dois melhores resultados que eu obtive foi com esses dois pincéis. Eu testei o pequeno para caso eu precisasse mudar para um caractere menor. O mais grosso, por ser sintético e servir para a cobertura de áreas maiores na pintura, conseguia dar a textura que eu queria mesmo com o nanquim puro. O menor, como é para acabamento, precisava de um nanquim quase seco para dar a textura que eu queria (que, por sorte, eu tenho um potinho que eu guardo).

Acabou que eu precisava entregar todo o set em uma única folha, então a idéia de fazer ideograma se foi. Depois, acabou meu nanquim preto, que eu precisava pra diluir um pouco o nanquim seco. Quando eu fui comprar, não tinha mais nanquim preto, tive que comprar vermelho; o que implicava que, usando o pincel pequeno, eu não conseguiria dar o efeito de pincel que eu queria (o que não é totalmente verdade, continue lendo e veja).

Além disso, com aquele pincel que eu tinha escolhido antes, não tava funcionando, porque quando eu usava o nanquim normal, ele guardava muita tinta, e acabava saindo mais grosso do que deveria.Então, eu peguei um A2, fiz as linhas auxiliares, imprimi uns modelos, peguei papel vegetal e comecei a testar do tamanho que eu ia fazer, pra me acostumar com os parâmetros.





Depois de vários testes, eu comecei a fazer na folha de A2 final. Para que a tinta saísse legal – não molhar muito o papel e ficar muito grossa – eu tinha que molhar no nanquim, passar na borda e dar uma pincelada à esmo numa outra folha. Uma coisa que eu tinha reparado, é que com aquele pincel, eu não conseguiria fazer as serifas da Garamond, que, apesar de ter uma aparência de escrita à mão, foi feita para tipos de metal, o que tornava ela não-tão-completamente-manual. Decidi deixar sem onde não dava pra fazer.

No final, ficou o set da Garamond Semi Sans, como eu a nomeei. E cá está o resultado:









Como eu disse, daria pra fazer o efeito de tinta seca, carregando o pincel com menos tinta, ou seja, pincelando mais antes de fazer a letra em si. Mas é domingo, e eu tava puto com umas coisas, então eu perdi o saco de fazer isso. Como vocês podem ver, eu caguei alguns caracteres, como o s, z, 8, 9, &, um pouco do g. Mas, enfim, c’est la vie.

P.S.: eu tou começando a achar que eu podia fazer um mini-me pra botar pensando essas coisas idiotas, será que fica legal?

Author: Eduardo Souza

Talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses, porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso. alemdoespetaculo.wordpress.com animusmundus.wordpress.com

One thought on “Set tipográfico

  1. amei eduardo, ficou muito legal…muita gente de "de tipos" pegou fontes desconhecidas que eram bem visivelmente caligraficas, quando soube desse exercio, pensei: "se eu tivesse nessa cadeira, pegaria uma fonte que foi derivada da caligrafia e que é amplamente utilizada hj em dia, so que nao dá na cara que é caligrafica" , né, pensei na gramond , bembo..essas antigas..arrasase, visse. eu so acrescentaria todos os glifos tb, aqueles decorativos, enfim, faria tudinho, pq isabella tu sabe né…kkkkkkkkkk dá a ideia p isabela de vcs exporem esse exercio. eu to muito intreressada em ver todos.

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