Além do espetáculo


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Pixel Show

Acabou o Pixel Show, evento de design e ilustração que durou dois dias, pela primeira vez aqui em Recife.


Assisti quase todas as palestras (não assisti às do Estúdio Alba e de Francisco Saboya) e fiz apenas uma workshop, mas vamos ao que importa.
Dentre todas as palestras (a grande maioria foi muito boa), três se destacaram fodamente pra mim: AP 303, Danilo Beyruth e Raul Teodoro.
O AP 303 se apresentou no sábado, e eles são um estúdio que começou com um casal em Salvador. Eles falaram de alguns cases deles, e, bom, foi do caralho. Falaram sobre o processo deles e a história do estúdio. Vários trabalhos incríveis e dedicação pura. O mais engraçado foi que eles disseram várias vezes que não sabiam ilustrar, e, olhem no portfolio deles: cada ilustração do caralho! Acho que algo que eu aprendi com eles foi sempre criar uma rede de contatos, entre profissionais de sua área e relacionadas. Eles sortearam diversas cópias de um print, que Gabi ganhou e me deu! (Brigado, amor!)
Como estragar um print do caralho com uma foto merda? Pergunte-me como!
Danilo Beyruth foi pé-no-chão pra cacete. Listou, em linhas gerais, as profissões que alguém ligado à arte poderia exercer: desde diretor de arte de agência de publicidade até aquele artista plástico “puro”, autoral. Depois, contou a trajetória dele de estagiário a diretor de arte, depois ilustrador e, por fim, quadrinista. Ele se mostrou um cara puta humilde, foda e muito engraçado.
Depois, Raul Teodoro, um designer de Belo Horizonte (me perdoe se estiver errado), que já passou por desenvolvimento web, mas, pelo que deu a entender, agora trabalha com design gráfico também. Eu ouvi ele falando com alguém que pretende seguir a carreira acadêmica, e tal, o que é ótimo para aqueles que forem alunos dele. Com ele, também, foi a única workshop que eu fiz, que foi FODA.
A workshop foi de design de posters, mas eu diria que se relacionou muito com processo criativo e métodos manuais. Raul é um cara super gente boa, sabe pra caralho e faz uns trabalhos incríveis de colagem tanto manual quanto digital. A workshop foi basicamente sobre experimentação, mas eu acho que me afetou muito por fixar na minha cabeça algo que eu tenho visto em todos os lugares: um designer precisa ter trabalho manual como parte do seu processo de criação. E rabiscar. Rabiscar muito, algo que eu não tenho feito muito.
De qualquer maneira, eu fiz algumas colagens em A5, e a única que ficou legal foi essa:

Eu usei colagem, desenho, um “”””lettering”””, transfer, e impressão com uns tipos de um polímero foda lá.
Mas a parte mais legal foi a impressão com tipos móveis de madeira, em que nós fizemos cartazes exclusivamente tipográficos. Junto com Gabi, fizemos dois cartazes, que ficaram bem interessantes, ao meu ver. Acho que eles simbolizam essas coisas que eu aprendi nesse final de semana com pessoas tão bem sucedidas.



No final de tudo, acho que as 3 coisas mais importantes que eu pretendo carregar pra minha vida são:
1. Usar muito o sketchbook
2. Usar métodos manuais e diferentes para processo criativo
3. Sempre convidar pessoas diferentes para fazer projetos cooperativos
Fora isso, tem a experiência, que foi foda e indescritível.


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Swamp Monster – WIP 1

Caro leitor! Estou continuando uma peça que eu esbocei há algum tempo, e aconteceram coisas curiosas no processo.

Primeiro, a idéia da pintura surgiu quando eu vi essa foto em algum lugar da vida:

Eu pensei “porra, isso parece um monstro do pântano!” Aí eu comecei. Busquei algumas referências de pântanos, no Google e no Deviantart, principalmente, mas há inúmeros outros sites fodas de compartilhamento de imagens, Flickr, Picasa, Piccsy, FFFFound!, 500px, enfim. E outros que eu não conheço.

Com isso, eu fiz um primeiro esboço, só definindo a composição, a silhueta do monstro e o cenário. Segue um screenshot com a pintura e as camadas, para que vocês entendam o que vai acontecer depois

Então, eu fui começar a trabalhar o background. Isso é um princípio que vem da pintura tradicional: normalmente se pinta do plano mais atrás para o mais próximo. Só que eu comecei a sentir dificuldades para definir as árvores, pois estavam todas na mesma camada e com a mesma tonalidade.

Então, eu subdividi a camada que havia em duas e criei outra para as árvores láá atrás. Além disso, ampliei o leque tonal da composição; clareando o background, eu me permiti usar uma gama menos saturada, além de entretons, porque na primeira, tudo estava muito escuro. Como eu quero uma ambientação muito escura, eu vou ter que dar bastante contraste nos primeiros planos.

Enfim, o que eu achei curioso foi como eu não consegui definir os planos por estarem todos da mesma tonalidade, perdendo a perspectiva tonal. Quando eu criei essa sensação, ficou mais fácil para mim criar as formas das árvores.


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Harmonias melódicas

Esse exercício tinha como objetivo estudar harmonias melódicas. É bem clara a relação da música com a pintura, como eu já falei uma vez; fazendo uma relação com a música, eu estaria compondo a melodia – o humor, o ritmo tonal – da pintura.

Pra ser mais claro, harmonia melódica, na pintura, é estudar a harmonia de tons de uma mesma gama. Ou seja, compor uma pintura com a predominância de uma gama; isso também poderia ser chamado de uma composição monocromática. Depois de estudar escalas tonais, o próximo passo seria a união do tom com a gama.
Seguem os exercícios abaixo. O primeiro deles é uma cena de Sandman, em que Morpheus está triste com (spoiler). Escolhi a cor azul por razões óbvias: mais fria, distante, triste. O segundo é um estudo de gama de um pântano, feito com lápis aquarelável. Observem que eu usei vermelho e azul para escurecer o verde, o que já dá o gancho para o próximo passo: harmonias.



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A palavra é… Ética

Hoje, quero discutir sobre o processo de criação e produção de uma página que foi publicada no caderno Galera JC no Jornal do Commercio, do dia 25 de junho.

Chegou pra mim o texto pronto, que vocês podem ler na imagem acima. Eu não sei se existe uma técnica ou um consenso entre ilustradores quanto a isso, mas eu costumo pensar que uma ilustração para um texto pode ter duas relações com ele:
1) suporte, que seria a ilustração que pode usar ou (1) a idéia geral do texto ou (2) um trecho específico como base conceitual, ou;

2) expansão, que seria usar o texto ponto de partida, e expandir o conceito, tanto de maneira abstrata ou mais tangível, mas não se limitando por ele

Nesse caso, eu optei pela expansão do conceito de ética. Primeiro, o público-alvo, infantil, não me permitia fazer algo muito abstrato. Depois, como vocês podem ler, o texto dá várias “cenas” exemplificando a ética, mas nenhuma das quais eu achei que ficaria legal. Isso em impedia de usar a ilustração na função de suporte, então, fui para a expansão. Ética é uma coisa difícil de se definir; tanto que no campo da filosofia, há intensas divergências ao longo da história. De qualquer maneira, o texto sugere uma idéia de ética, em linhas gerais, como ajudar ao próximo.

Decidi fazer um grupo de crianças trabalhando juntas para a realização de algo. Eu gosto quando a ilustração é bem integrada ao texto, ou ao título, no caso. Como o título da matéria era “A Palavra é… Ética”, eu decidi ilustrar as crianças, todas juntas pintando um cartaz com a palavra “ética” escrito. Eu, idiotamente, rasguei esse rascunho, mas o principal problema dele, era que eu havia pensado numa perspectiva quase que aérea. Isso dificultou bastante o posicionamento das crianças, porque elas ficariam na frente do cartaz, ocultando a palavra ética. Além disso, Gabi disse que não tinha nada a ver me disseram que o conceito estava meio distante.

Tentei, ainda, mudar pra uma vista frontal, com as crianças pintando o cartaz na parede, algumas usando uma escada para pintar algo bem alto, mas também mantinha os dois problemas. Me sugeriram fazer montando a palavra. Achei uma boa idéia, e decidi que eu poderia fazer a palavra “ética” formada por blocos a as crianças construindo-a.

Esboço inicial e as primeiras fases da digitalização

Fiz a palavra com a tipografia que seria mais fácil para subdividir em blocos, coloquei um efeito 3D tosco no Illustrator, imprimi e comecei a desenhar as crianças montando os blocos. Depois, eu escaneei e finalizei as linhas. Não foi difícil, quando eu comecei, notar que seria um saco fazer a palavra divida em vários blocos “aleatoriamente”. E eu até tentei.

Então, eu decidi fazer a palavra, realmente com blocos. Eu poderia desenhar cada bloco, e seria um exercício interessante de perspectiva e paciência. Mas, como eu não tinha tanto tempo, eu fiz como eu gostaria no 3Ds Max, renderizei, e coloquei na minha ilustração.


Primeiros renders e integração com o resto da ilustração. A partir daí, fui começando a trabalhar a iluminação de todos

Isso ajuda muita coisa, mas gera demanda de outro tipo de trabalho: trabalhar para equalizar a iluminação, o tom, enfim, integrar a imagem para não parecer uma colagem [BOLD]tão destoante (a não ser que seja essa a intenção, que não era). Eu quis, sim, deixar um pouco diferente, para que ficasse destacado.

Então, eu fui trabalhando os personagens e a palavra, quase que simultaneamente. Ainda tinham os blocos no chão, que eu pensei em usar do Illustrator e pintar por cima. Não deu certo. Além de pintar a cor por cima, eu realcei as luzes e sombras. Veja que o C e o A não foram pintados ainda. Eu dei um realce maior na iluminação, aumentando o contraste

Eu ainda tentei fazer os blocos de cores diferentes, deixando bem colorido, mas ia dar muuuito trabalho, também, e eu não dispunha de tanto tempo. Daria trabalho porque eu teria que retrabalhar as luzes e sombras de acordo com cada cor de bloco, e pra escolher as cores e atingir um equilíbrio legal, também seria puxado. Com relação ao fundo, eu escolhi o verde para dar mais contraste ao vermelho dos blocos, destacando a palavra (sim, eu fiquei com medo da palavra passar despercebida).

Não consegui deixar do mesmo estilo, e nem era necessário. Fiz outro render só com os cubos soltos, e integrei-os também. De novo, trabalhando a luz, integrando.

Render dos cubos soltos e antes e depois deles serem integrados na ilustração

Agora, fui refinando. Coloquei umas texturas, clareei um pouco (porque sempre escurece bastante na impressão), entre outras coisinhas. Ta-dá! Pronto. Foi só colocar na página. Aí eu coloquei o verde clareando, quase num degradê, pra o texto ir entrando embaixo.

Eu acho que a palavra ainda não ficou com uma visibilidade tão boa, no final das contas. Eu tive que dar uma ajeitada no acento, afastar um pouco da letra, pra deixar mais visível. Também, no dia seguinte de a ilustração ter saído, eu vi essa fonte: http://www.typegoodness.com/2009/09/lego-type/ que era EXATAMENTE o que eu queria, na verdade. É bem visível, é feita de lego, e, bom… acho que deu pra notar que ela seria ideal. Mas de todo jeito, não tem pra download, então, não daria pra usar ela, mas serviria de referência.

Mas o resultado final foi esse, e pronto!