Além do espetáculo

Caixa de fósforos – Light my fire

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Esse foi um projeto muito interessante e difícil de fazer, e eu queria dividir o processo de realização dele com vocês🙂
Ele foi feito juntamente a Gabriela Araujo e Ana Elisa



Fotos do trabalho finalizado. A foto de cima é a caixa e a de baixo é uma foto do verso da caixa

Antes de tudo, vamos à proposta. O trabalho era fazer um produto gráfico que usasse algum método “manual” de impressão: carimbo (de materiais alternativos, inclusive), stencil, tipografia, entre outros.

Nossa idéia era produzir uma caixa de fósforo com estilo bem vintage, com um pedaço da letra de The Doors, Light my fire (o trocadilho é óbvio) “Come on, baby/Light my fire”. Fizemos um layout simples digital, tendo em mente todas as dificuldades que teríamos para realizar a impressão, e fomos testar.

Em geral, nós tivemos um único problema: cortar o que iria ser impresso, porque iríamos ter que reproduzir tipos e formas pequenas em outros materiais mais rústicos, por assim dizer. Lógico que as dificuldades mudaram de acordo com o material. O tamanho da face da caixa é aproximadamantente 11×6,5 cm.

Inicialmente, pensamos fazer isso com carimbos de EVA (emborrachado). Mas tivemos três problemas:

1) como nós usamos um EVA muito fino, ele se tornava dificílimo de carimbar; pior ainda depois de cortado. Mesmo quando nós o colamos em uma outra base, pra servir como um tipo móvel de metal, não funcionou bem

Tipo de metal. Nossa idéia era usar o emborrachado como a parte a ser impressa e outra superfície como se fosse o “corpo” do tipo, seguindo o mesmo princípio

2) a textura que o EVA deixa é muito bonita, mas fica pouco interessante na hora de imprimir um texto que, a princípio, deve ser legível, como era o nosso caso; o mais interessante para um EVA é fazer uma textura tipográfica, com sobreposição e etc.
Veja como saiu sujo e as bordas irregulares. Como texto, é estranho, mas uma textura visual feita dessa maneira, ficaria interessante, sem dúvidas

3) o tamanho das letras era bem pequeno, o que tornava difícil cortar nesse material com precisão, o que significa que o acabamento não ficou tão bom

Note como o acabamento ficou estranho no corte. Além disso, carimbar com essa coisa fina facilitaria muito sujar a impressão, além das falhas

Depois disso, partimos para tentar fazer stencil. Nós tentamos fazer o stencil com o material mais simples possível, e passamos por cortiça, papelão e papel vegetal. Os dois primeiros eram muito ruins de cortar, o que tornava o tipo impreciso e feio, e o papel vegetal, o melhor até então, era muito frágil, e o stencil só resistia a uma aplicação de tinta acrílica, porque absorvia muita água.

Chegamos, finalmente ao papel duplex: ele resistia o suficiente à água e não era tão duro de cortar, possibilitando uma precisão razoável no desenho da letra.

Vejam o stencil. Ele está coberto de tinta acrílica, mas veja como as bordas estão muito mais coerentes, e o desenho bem mais interessante que no EVA

Prontos os primeiros stenceis, fomos testar imprimí-los. Usando pincel, não funcionava, porque ele mexia muito no stencil, borrando. Testamos com esponja, o resutado foi melhor, e, por fim, usamos um rolo de esponja.

Com relação à tinta, usamos a tinta acrílica. Testamos diluí-la um pouco, para ficar mais fácil passar a tinta; entretanto, qualquer pingo d’água fazia com que a tinta escorresse pelo stencil e borrasse, também.


Light impresso com muita força. Como o rolo absorve muita tinta, se nós pressionássemos muito forte, a tinta escorreria por debaixo do stencil

Ainda assim, tivemos que testar várias e várias vezes, e vários testes deram errado, pois não podíamos passar o rolo de tinta com força, se não também borraria.

Algumas das folhas que deram errado e se tornaram testes

Por fim, conseguimos algumas impressões satisfatórias, depois de testar muito. Conseguimos até fazer um degradê, misturando a tinta no próprio rolo.



Entre algumas sugestões a serem testadas, poderíamos dizer pra testar outros materiais como stencil, como transparências (aquelas, em que eram impressas as projeções), mas eu acredito que elas são ruins de cortar. Uma técnica que poderíamos ter usado era sobre posição de cores; nós até testamos deixar a tinta mais transparente, usando o gel acrílico, mas era necessário testar mais do que nós tínhamos tempo.

De qualquer maneira, ficamos satisfeitos com o resultado🙂 espero que gostem!

Author: Eduardo Souza

Talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses, porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso. alemdoespetaculo.wordpress.com animusmundus.wordpress.com

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